Maat como princípio ético do Antigo Egito (Kemet): feminino negro, ética e educação antirracista.
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Esta monografia tem como objetivo analisar o conceito de Maat como princípio estruturante do pensamento filosófico kemético, destacando suas dimensões ontológica, ética e cosmológica. Partindo da crítica ao eurocentrismo presente na história da filosofia, o presente trabalho propõe problematizar as narrativas que estabelecem a filosofia como uma produção exclusivamente ocidental, evidenciando os processos históricos de invisibilização do pensamento africano. Nesse contexto, o estudo apresenta Maat não apenas como uma divindade do panteão egípcio, mas como fundamento da organização do universo, da vida social e da conduta ética no Egito antigo. A pesquisa também discute a centralidade do feminino em Maat, compreendendo-o como princípio de equilíbrio e continuidade da vida, em contraste com leituras ocidentais, como as de Aristóteles, que associavam o feminino à irracionalidade ou à desordem. Além disso, analisa-se a relação entre filosofia, corporeidade e ética, evidenciando como o corpo negro feminino pode ser compreendido como expressão de uma ética viva diante dos processos de racialização e exclusão epistêmica produzidos pela colonialidade. Por fim, o trabalho estabelece aproximações entre a ética maática e os debates contemporâneos sobre educação antirracista, especialmente no contexto da Lei 10.639/03, destacando sua contribuição no campo filosófico e na construção de práticas pedagógicas comprometidas com a justiça social e a valorização da pluralidade epistemológica.
Abstract in another language
This monograph aims to analyze the concept of Maat as a structuring principle of Kemetic philosophical thought, highlighting its ontological, ethical, and cosmological dimensions. Based on a critique of the eurocentrism present in the history of philosophy, this work proposes to problematize narratives that establish philosophy as an exclusively western production, emphasizing the historical processes that have rendered African thought invisible. In this context, the study presents Maat not only as a deity of the Egyptian pantheon, but as a foundational principle of the organization of the universe, social life, and ethical conduct in ancient Egypt. The research also discusses the centrality of the feminine in Maat, understanding it as a principle of balance and continuity of life, in contrast to western interpretations-such as those of Aristotle- that have associated the feminine with irrationality or disorder. Furthermore, the study analyzes the relationship between philosophy, corporeality, and ethics, highlighting how the black female body can be understood as an expression of a living ethics in the face of processes of racialization and epistemic exclusion produced by coloniality. Finally, the work establishes connections between maatian ethcs and contemporary debates on anti-racist education, especially within the framework of Brazilian Law 10.639/03, emphasizing its contribution to the philosophical field and to the construction of pedagogical practices committed to social justice and the appreciation of epistemological plurality.
Keywords
Filosofia africana, Kemet/ Egito antigo, Maat
Área do conhecimento
Ciências Humanas
Citation
Santos, Jesus Bernardo dos. Maat como princípio ético do Antigo Egito (Kemet): feminino negro, ética e educação antirracista. 2026. Monografia (Graduação em Filosofia) – Instituto Interdisciplinar de Sociedade, Cultura e Artes, Curso de Licenciatura em Filosofia, Universidade Federal do Cariri, Juazeiro do Norte, CE, 2026.